Natação
Piscina curta e piscina longa, dois relógios diferentes
Vinte e cinco ou cinquenta metros mudam o número de viragens de uma prova e, com ele, o tempo final. É por isso que os registos das duas distâncias são contabilizados em separado.
Inês Baptista Rocha · · Leitura de seis minutos
Uma prova de duzentos metros disputada em piscina de vinte e cinco metros tem oito viragens; a mesma distância numa piscina de cinquenta tem quatro. Como cada viragem é um momento de impulso contra a parede, a diferença acumula-se e explica por que razão os tempos das duas distâncias não se comparam diretamente.
É por isso que as listas de recordes são mantidas em separado. Não se trata de considerar uma piscina melhor do que a outra, mas de reconhecer que as duas provas exigem competências diferentes: uma valoriza a técnica de parede e a saída, a outra premeia a manutenção do ritmo em percursos longos e sem interrupção.
As raias também não são iguais entre instalações. Os cabos que as separam servem para absorver a ondulação criada pelos nadadores, e a qualidade dessa absorção altera as condições de prova, sobretudo nas raias exteriores, mais próximas da parede lateral.
Viragens: os metros que decidem uma final
A viragem começa muito antes da parede. O nadador ajusta a braçada para chegar com a distância certa, executa a rotação e transforma o contacto com o azulejo num impulso que o coloca na posição mais hidrodinâmica possível.
Depois do impulso vem a fase submersa, limitada pelo regulamento: após a partida e após cada viragem, é possível percorrer no máximo quinze metros debaixo de água antes de a cabeça ter de romper a superfície. Essa regra existe precisamente porque a deslocação submersa, bem executada, é mais rápida do que o nado à superfície.
Numa final decidida por décimos, é comum que a diferença tenha sido construída em duas ou três paredes. Por isso os treinos incluem séries dedicadas apenas a aproximações e saídas de viragem, com cronometragem parcial, muito antes de se pensar no tempo total da prova.
Uma época dividida em duas metades
O calendário da natação acompanha esta divisão. A época de piscina curta ocupa habitualmente os meses mais frios e serve para trabalho técnico e competições de menor duração; a piscina longa domina a parte final da temporada, onde se disputam os grandes campeonatos.
Para os clubes, esta alternância obriga a planear com meses de antecedência: horários de piscina, escalões que competem em cada fase e viagens. É um trabalho administrativo invisível para quem assiste, mas é ele que garante que um nadador chega em forma à prova que interessa.
Inês Baptista Rocha escreve sobre natação no BoutFlash e segue de perto regulamentos, técnica e organização de competições de clubes. Correções e pedidos de esclarecimento: newsroom@boutflash.com.